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Proposta indecente ou inocente…. 19 julho, 2011

Posted by acanuto in Aconteceu, Artigos, Boas Práticas, Opinião.
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Hoje atendi a um telefonema normal, diria até cotidiano, para nós advogados, era um potencial cliente que  “achava que tinha direito a isso e aquilo, e a aquele outro também, além de dano moral” , e eu logo que tive a chance de responder a ele, disse de primeira, “mas isso é o que o Sr. acha, eu preciso analisar os documentos que o senhor tem, e verificar a possibilidade jurídica do pedido”,  logo em seguida disse ele pra mim, que queria que fosse rápido, (…pra ontem !!! Me entende), e respondi, com a maior boa vontade e profissionalismo “…se o problema do senhor é tempo, eu consigo distribuir o feito em até 4 dias, após o fornecimento de todos os documentos”,  e aí veio a pergunta que todo cliente tem pudor de perguntar, …isso aí, exatamente, dos honorários, e perguntou “Quanto vai ser os honorários ? “, eu logo respondi que não teria como dimensionar sem analisar os documentos, e principalmente sem analisar se eu iria patrocinar a causa, … aí o cliente sapecou a seguinte frase”…eu queria pagar o senhor só no final quando eu ganhar a causa!! ” pensando em me remunerar apenas com a sucumbência, (…cá com meus botões, pensei, de onde veio esta certeza, de que ele vai ganhar a causa) , e aí eu perguntei “…e se o ilustre perder, a causa ? “, ele respondeu “…é por isso, que só quero pagar no final”, sendo assim, o convidei a uma reflexão “veja bem, cidadão, se o senhor estivesse doente, iria a um médico, propor que este trabalhasse, fizesse o diagnóstico, todo tratamento, e só depois de curado ( …se cura houvesse) iria pagar ao médico.” ele respondeu laconicamente “Não doutor”, e  em seguida completei o raciocínio “…pois é, seu direito está doente, o senhor percebe que este tipo de proposta não se faz a um profissional.”, me interrompeu, me pediu desculpas, e desligou o telefone.

MORAL DA HISTÓRIA: Há que se deixar claro, logo de início, sempre, sempre, sempre…, o que são honorários contratuais são devidos, e o que são honorários sucumbenciais. E acima de tudo, agirmos nós advogados, com postura de advogado, trabalhar por uma causa e só receber ao final, pode ser uma opção do advogado, ao avaliar as condições pessoais do cliente e da causa, mas nunca, uma imposição do cliente. Pois o cliente realmente consciente tem exata noção da importância do advogado, sabe que o advogado é essencial para o acesso a justiça, e como profissional, seu trabalho tem um custo”

O Ensino Júridico e Vocação Júridica. 26 dezembro, 2008

Posted by acanuto in Artigos, Opinião.
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Caros Amigos Leitores,

Recentemente, tive oportunidade de testemunhar, o que eu já sabia haver nas salas de aulas do curso de direito de todo País, o caso se deu em Recife/PE. O que ocorreu foi algo de um surrealismo jamais imaginado por mim, pois hoje o aluno de direito, não é apenas do vocacionado para área júridica, temos uma corrida imensa as bancas da academia motivada pela ambição, de bons salários oferecidos nas carreiras de  juízes, promotores, procuradores, advogados da união, analistas judiciários, etc.

Vamos aos fatos, em uma instituição particular, não é raro encontrarmos professores vaidosos, que dão aula do alto de um pedestal, senhores da verdade única do direito (…postura inconcebível para um professor de direito, pois como dizia, o velho Prof. Barros Melo ” o direito é dotado de pantonomia“.) ou seja, estes pseudo-professores, se imponhem pelo medo que imprimem em seus alunos, de construir o espírito crítico aguçado, tão necessário ao operador de direito.  Por oportuno, lembro que em uma instituição particular existe uma relação não só de aluno / professor, mas de cliente / prestador de serviço, pois no início de cada período letivo os alunos são obrigados a assinar um contrato de prestação de serviços educacionais, logo, é claro de plano, que em contrapartida ao pagamento da mensalidade ( geralmente alta, sinônimo de sacríficio para muitos alunos), este aluno não só tem o direito , mais o dever de exigir um ensino de direito de elevado padrão, o melhor possível sempre, e nunca em um posição comodista de quanto menos melhor ( menos matéria, menos tempo de estudo, menos trabalho de passar ), os bancos do curso de bacharelado em direito não suportam tal mediocridade, pois o verdadeiro operador de direito, é altivo, aguerrido, tenaz, amante do debate elevado.

Enfim, o fato ao qual me referi no início deste texto, diz respeito a cobrança legítima de um aluno, a direção da instituição que o programa de uma determinada disciplina fosse pelo menos apresentado de forma completa, pois ao aluno não é dado o direito de pagar meia-mensalidade, ou mensalidade proporcional ao volume do programa mínimo da disciplina  ( aprovado pelo MEC ) que foi dado em sala, tal conduta, de não cumprimento do programa da disciplina, é no mínimo ” fato típico educacional”, enquadraríamos se houvesse o tipo em “estelionato educacional”. E um verdadeiro professor quando cobrado, age sempre de forma urbana e consciente, pois sabe, que o aluno não está querendo expor o mestre, e sim, beber na fonte do saber deste, e o bom mestre até se sente lisonjeado, com o pedido aluno. Na verdade, o anseio do aprendiz é claro para o professor vocacionado, é aprender. Já o que reage de forma agressiva, não é professor por vocação, e sim por ocasião, este não deveria está a frente de uma disciplina, pois não presta bom exemplo e serviço a formação do operador de direito ( como ocorreu no caso em debate), e o realmente vocacionado operador de direito ( seja aprendiz ou mestre) não teme reações agressivas, nem opressores “oportunistas” da cátedra , que se utilizam a caneta de professor para punir o aluno crítico, altivo, que deseja aprender, e com seu apreendizado crescer humanísticamente e profissionalmente.

Conclamo assim, a todos vocês que amam o direito, a nunca deixarem, nada, nem ninguém roubar o brilho do real advogado, operador primaz do direito, e na pessoa deste, incluindo todos os vacacionados desta nobre ciência , quase arte, para agir sempre com destemor, diante dos opressores, pois este só possuem dois caminhos, o primeiro é o dos que tentam se impor pela força ou pelo medo, ou são ignorantes de todo ( da ciência e dos fatos ), ou não raro, lhe falta a base do “direito bom”, estes meus amigos carecem de razão, e o segundo, imprimem fuga do debate, pois não existe argumentos.

E com isso em mente, rogo à todos tal pedido, ao mesmo tempo que me comprometo com vocês, de certa forma, com este singelo texto, pois quem o escreve é um amante do direito, que sabe, que sempre se pode aprender mais, e por mais que se saiba, não será o dono da verdade, mas servidor eterno desta. E o melhor de todos os saberes, é saber aprender.

Meu Abraço, e Votos de Feliz Ano Novo à Todos,

Do amigo,

André Canuto.